O que são ADRs (e BDRs) e por que importam para o investidor
Como funcionam os ADRs, quais empresas brasileiras e latino-americanas são negociadas assim em Nova York, vantagens, riscos e diferenças em relação à ação local.
22 de out. de 2026 · 4 min de leitura
Petrobras, Vale, Itaú, Bradesco, Embraer, América Móvil, SQM, Credicorp, Ecopetrol, YPF… Todas são empresas latino-americanas e todas podem ser compradas na bolsa de Nova York, em dólares, como se fossem empresas americanas. Isso é possível graças aos ADRs.
O que é um ADR
ADR significa American Depositary Receipt, recibo de depósito americano. Funciona assim:
- Um banco dos Estados Unidos compra ações de uma empresa estrangeira na bolsa local (por exemplo, ações da Petrobras na B3).
- Ele as mantém em custódia e emite certificados que representam essas ações.
- Esses certificados, os ADRs, são negociados em Nova York em dólares.
Cada ADR representa um número fixo de ações locais. Nem sempre é um para um: um ADR pode equivaler a várias ações da bolsa de origem.
No explorador você pode ver todos os ADRs latino-americanos do nosso universo. Na página de cada um mostramos, quando existe, a ação local relacionada.
E os BDRs?
O BDR (Brazilian Depositary Receipt) é a mesma ideia ao contrário: um certificado negociado na B3, em reais, que representa ações estrangeiras, como Apple, Amazon ou Microsoft. Para o investidor brasileiro, os BDRs são uma porta de entrada para o exterior sem abrir conta fora do país. Os ADRs, por sua vez, levam as empresas brasileiras para Nova York.
Por que importam
Para muitos investidores, os ADRs resolvem vários problemas de uma vez:
- Acesso: são comprados pela mesma conta usada para ações americanas, sem abrir contas em outras bolsas.
- Liquidez: alguns ADRs são mais negociados em Nova York do que a ação no próprio país.
- Moeda: são cotados em dólares, o que é conveniente para quem já pensa os investimentos nessa moeda.
- Informação: as empresas com ADRs costumam divulgar informações seguindo padrões exigidos pelo regulador americano.
Um detalhe importante: o ADR não elimina o risco da moeda local
É um erro comum pensar que, como o ADR é cotado em dólares, ele não tem risco cambial. Não é assim.
O preço do ADR acompanha o preço da ação local convertido para dólares. Se as ações da Vale não se mexem em reais, mas o real se desvaloriza 10%, o ADR da Vale cai aproximadamente 10% em dólares. O ADR contém o risco da moeda brasileira; ele só o expressa em dólares.
Leia mais sobre isso em risco cambial.
ADR vs. ação local: qual compensa?
| ADR em Nova York | Ação local | |
|---|---|---|
| Moeda de compra | Dólares | Moeda local |
| Horário | Bolsa de Nova York | Bolsa local |
| Liquidez | Alta nos ADRs maiores | Variável |
| Custos | Pode haver uma pequena taxa de custódia | Custos do mercado local |
| Risco econômico | O mesmo | O mesmo |
Em termos de risco da empresa e do país, são praticamente a mesma coisa. A diferença está na conveniência, nos custos e no horário. Se você comparar os dois no otimizador, verá que a correlação é muito alta: ter ambos não diversifica.
Empresas listadas diretamente nos EUA
Algumas empresas latino-americanas não usam ADRs e são listadas diretamente nos Estados Unidos: MercadoLibre, Nu Holdings (Nubank), StoneCo, PagSeguro, Globant ou Copa Holdings, entre outras. Para simplificar, no explorador as agrupamos com os ADRs sob a etiqueta ADR, porque para o investidor o efeito é parecido: uma empresa da região que se compra em dólares em Nova York.
Riscos específicos dos ADRs
- Risco-país: mudanças políticas, impostos ou controles de capital no país de origem afetam o ADR.
- Programas cancelados: uma empresa pode retirar o ADR da bolsa americana. Nesse caso, os detentores geralmente podem convertê-lo em ações locais ou receber o valor equivalente, mas é um trâmite a considerar.
- Dividendos e retenções: os dividendos podem ter retenção de impostos no país de origem. Consulte as regras do seu país de residência.
- Diferenças de horário: se a bolsa local estiver fechada por feriado, o ADR pode se mexer em Nova York sem referência local.
Como usá-los em uma carteira
Os ADRs são uma forma prática de somar exposição latino-americana a uma carteira global. Algumas ideias:
- Diversificar dentro da região: combinar ADRs de países e setores diferentes (uma mineradora peruana, um banco chileno, uma empresa de consumo mexicana).
- Limitar o peso regional: como costumam se mover juntos nas crises, vale definir um máximo para a América Latina.
- Comparar com um ETF regional: um ETF da América Latina contém muitos desses mesmos nomes.
Teste
Carregue o exemplo "América Latina" no otimizador. Ele contém ADRs do Brasil, México, Chile, Colômbia, Peru e Argentina, além do MercadoLibre. Olhe o mapa de correlações: provavelmente verá que muitos se movem bastante juntos. Depois adicione um ETF dos Estados Unidos ou do Japão e observe como o risco total cai.
Perguntas frequentes
Um ADR dá direito a dividendos? Sim. O banco depositário recebe os dividendos da ação local, converte para dólares e paga aos detentores do ADR, às vezes descontando uma pequena taxa.
Posso votar nas assembleias? Em muitos programas sim, por meio do banco depositário, embora o processo seja menos direto do que com a ação local.
O que são os CEDEARs? São a versão argentina dos BDRs: certificados negociados em Buenos Aires que representam ações estrangeiras, como as de grandes empresas americanas.
Em resumo
Os ADRs aproximam as grandes empresas latino-americanas de qualquer conta que opere em Nova York, em dólares. São práticos, mas não eliminam o risco do país nem o da sua moeda. Use-os como parte de uma carteira diversificada, não como substituto da diversificação.
Teste com os seus próprios ativos
Monte uma lista e veja qual carteira o modelo calcula, na sua moeda.
Aviso legal: Ferramenta educacional e de simulação. Não constitui recomendação de investimento nem aconselhamento personalizado. Rentabilidade passada não garante resultados futuros.